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Quanto custa a ciência no Brasil? Uma análise do investimento nacional em pesquisa entre 2015 e 2025

há 11 minutos
15 min de leitura

Com a ascensão de novas tecnologias que têm “turbinado” a produtividade e vêm impactando as economias ao redor do mundo, tem-se gerado um debate sobre o investimento dos países em seu desenvolvimento tecnológico, o que tem se mostrado relativamente vantajoso: ser pioneiro em novas tecnologias ou em métodos produtivos. O Estado desempenha papel crucial nesse financiamento, em que, dependendo da sua visão, a nação desempenhará papel de protagonista, ditando tendências, ou de figurante, ficando à mercê de nações mais desenvolvidas. O presente texto busca realizar uma breve análise sobre o investimento que o Brasil tem feito e qual papel ele tem buscado desempenhar no mercado global de inovação.


Durante o período analisado(2015-2025), a soma do investimento total, segundo o SIOP, foi de R$ 72,56 bilhões em valores nominais, resultando em uma média de R$ 6,61 bilhões por ano. Contudo, essa média aritmética mascara um cenário de extrema volatilidade fiscal, caracterizado pela incerteza daqueles que buscavam promover a inovação e dependiam do investimento público. Pode-se dividir esse período em duas fases opostas, em que a primeira se caracteriza por um estrangulamento orçamentário, no qual atingiu sua mínima histórica em 2021 com um orçamento de R$ 2,81 bilhões em valores nominais, o que, naquele ano, equivaleu a 0,0312% do PIB nacional. Já a outra fase pode ser caracterizada por uma sólida recuperação, alcançando recordes orçamentários, tendo sua máxima histórica em 2025 com R$ 17,08 bilhões em valores nominais, o que representou 0,1340% do PIB daquele ano.


Um dos principais atores responsáveis por essa segunda fase e pelo fim do período de estrangulamento foi a proibição do contingenciamento de recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), que foi responsável por congelar, por anos, buscando cumprir metas fiscais, valores que seriam destinados à ciência. Após a liberação do orçamento antes bloqueado, os primeiros impactos positivos foram nas bolsas estudantis e nas operações especiais de crédito reembolsáveis (empréstimos de fomento que o governo concede para empresas e indústrias desenvolverem inovações tecnológicas).


Embora tenham ocorrido muitos avanços no período recente, há gargalos que persistem, concentrando-se principalmente na perda de poder de compra por causa da inflação acumulada, na persistência de assimetrias regionais e na dependência de emendas parlamentares.


  1. A metodologia

O presente texto opta por adotar uma abordagem quantitativa e documental, visando trazer ao conhecimento do público dados que demonstram a trajetória dos recursos públicos destinados à manutenção e promoção da infraestrutura de pesquisa no país. A análise busca ter como pilar central dados obtidos por meio do SIOP, cobrindo todo o período do ciclo orçamentário de 2015 a 2025, o que permite trazer um diagnóstico mais robusto para a análise.


Este texto se limita aos recursos alocados no Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Além disso, para se aproximar ao máximo da exatidão da participação do poder legislativo na alocação dos recursos, foram mapeadas, de forma isolada, as emendas parlamentares federais: emendas individuais; emendas de bancada estadual; emendas de comissões permanentes; e emendas do relator-geral.


Para maior precisão na métrica, foi utilizado o valor liquidado para realizar a análise. Para o funcionamento da contabilidade pública brasileira, ela se estrutura da seguinte forma:


Dotação inicial: representa apenas uma autorização legislativa de teto de gasto;


  • Valor empenhado: consiste na reserva contábil do recurso;


  • Valor liquidado: atesta que o bem foi efetivamente entregue ou o serviço foi prestado, correspondendo à mensuração mais fidedigna do gasto público.


Visando refinar o material analisado, as despesas liquidadas foram divididas em subfunções orçamentárias federais, que são:


  • Desenvolvimento Científico: investimentos na geração de conhecimento básico, fomento à pesquisa acadêmica e suporte à pós-graduação;


  • Desenvolvimento Tecnológico e Engenharia: recursos para pesquisa aplicada, inovação industrial, transferência de tecnologia e suporte ao setor produtivo;


  • Difusão do Conhecimento Científico e Tecnológico: gastos voltados à popularização da ciência, letramento digital, feiras acadêmicas e extensão tecnológica comunitária.


  1. O panorama geral

 

A análise financeira consolida dado MCTI dos últimos anos revela uma trajetória de altos e baixos, evidenciando a complexidade que foi elaborar planejamentos de longo prazo.


No período de 2015 a 2020, pode-se notar que houve uma nítida estagnação no orçamento (valores nominais), com valores oscilando entre R$ 3,50 bilhões e R$ 4,09 bilhões. Esse abandono fiscal se deu, a priori, pelas regras do teto de gastos instituído pela Emenda Constitucional nº 95/2016 e pelos sucessivos decretos de contingenciamento que asfixiaram as receitas do FNDCT para cumprimento de metas fiscais (IPEA, 2020), com o déficit atingindo seu ápice em 2021.


Fonte: Elaborado pelo autor com dados do SIOP (2016–2025).
Fonte: Elaborado pelo autor com dados do SIOP (2016–2025).

O gráfico mostra a variação (%) dos investimentos em relação ao ano anterior: o investimento feito pelo MCTI apresentou estabilidade inicial com discreta alta até 2019, seguida por uma forte retração que atingiu o piso em 2021 (-29,20%). Não só no investimento, mas também, como será mostrado mais adiante, nesse mesmo ano, o investimento atingiu sua mínima histórica em relação ao PIB.


A partir de 2022, houve uma guinada marcada pelo fim do contingenciamento fiscal, garantido pela aplicação da Lei Complementar nº 177/2021, alcançando o pico da variação percentual do período analisado. Com a liberação das receitas do FNDCT e as mudanças nos recursos financeiros destinados às atividades de Ciência, Tecnologia e Inovação, o valor foi de R$ 6,24 bilhões em 2022, avançando vigorosamente para R$ 10,72 bilhões em 2023, R$ 12,87 bilhões em 2024 e atingindo o pico histórico de R$ 17,08 bilhões em 2025.


  1. uma ressalva analítica referente ao impacto corrosivo do IPCA


Realizar a análise apegando-se puramente aos dados nominais tende a gerar conclusões precipitadas, levando a um falso otimismo. Para se aproximar ao máximo da realidade e compreender o poder de compra que aquele orçamento possuía, é indispensável o levantamento dos valores reais, utilizando o IPCA acumulado do período e tendo 2015 como ano-base para a deflação.




Ano


Valor Liquidado (R$ Nominal)


Valor Liquidado (R$ Real de 2015)


PIB do Brasil (R$ Nominal)


Investime nto / PIB (%)


IPCA

Anual (%)

Fator Deflator Acumulad o

2015

3.967.046.552

3.967.046.552

5,996 trilhões

0,07%

10,67%

1

2016

3.499.044.608

3.292.016.754

6,269 trilhões

0,06%

6,29%

1,0629

2017

3.561.784.888

3.255.000.000

6,585 trilhões

0,05%

2,95%

1,0943

2018

3.764.609.416

3.315.980.000

7,004 trilhões

0,05%

3,75%

1,1353

2019

4.086.376.380

3.450.700.000

7,389 trilhões

0,06%

4,31%

1,1842

2020

3.969.253.720

3.206.850.000

7,610 trilhões

0,05%

4,52%

1,2377

2021

2.810.293.639

2.062.960.000

9,012 trilhões

0,03%

10,06%

1,3623

2022

6.235.827.493

4.327.040.000

10,080 trilhões

0,06%

5,79%

1,4411

2023

10.723.102.980

7.112.180.000

10,943 trilhões

0,10%

4,62%

1,5077

2024

12.870.909.418

8.143.400.000

11,779 trilhões

0,11%

4,83%

1,5805

2025

17.075.292.622

10.362.100.000

12,739 trilhões

0,13%

4,26%

1,6479

Fonte: Elaborado pelo autor com dados do investimento extraídos do SIOP, PIB proveniente do IBGE e IPCA consultado no portal Dados de Mercado. Valores reais e o indicador em relação ao PIB foram calculados com

base no ano-base de 2015.

 

Ao longo dos 10 anos, a inflação oficial acumulada corrompeu o orçamento destinado à promoção de Ciência, Tecnologia e Inovação. Analisando o fator inflacionário acumulado, percebe-se que os níveis dos preços se elevaram em 64,79% entre 2015 e 2025.


Assim, aplicar o deflator, percebem-se algumas alterações nos valores investidos, como o de 2021, que foi de R$ 2,81 bilhões e, após ser corrigido, caiu para R$ 2,06 bilhões em poder de compra do ano-base (2015). Se aplicarmos esse método no momento em que o investimento atingiu seu ápice, R$ 17,08 bilhões em 2025, ele equivaleu, na verdade, a R$ 10,36 bilhões em valores reais, fazendo com que R$ 6,72 bilhões do orçamento de 2025 tenham sido destinados apenas para neutralizar o efeito inflacionário, demonstrando, mais uma vez, o cenário adverso que é o desenvolvimento científico no Brasil.


Fonte: Elaborado pelo autor com dados do SIOP (2015–2025)
Fonte: Elaborado pelo autor com dados do SIOP (2015–2025)

O gráfico acima demonstra melhor o período do hiato contábil, mostrando a intenção do Legislativo (dotação inicial, em azul) versus a execução final do caixa (valor liquidado, em vermelho). Ele exemplifica o período de asfixia fiscal (2015 a 2021) em que, embora a intenção fosse maior que o valor final, mesmo que toda a intenção fosse 100% realizada, os valores ainda estariam baixos para compensar a inflação acumulada ou promover um desenvolvimento científico concreto em nível nacional. Observa-se também que, após o desbloqueio do FNDCT, houve uma liquidez imediata no sistema.


  1. Contexto histórico: ciclos orçamentários e marcos científicos nacionais


Durante o ciclo orçamentário que passou por períodos de constantes instabilidades, a ciência no Brasil conseguiu, por vezes, superar as adversidades e progredir, como demonstrado na tabela a seguir. Vale ressaltar que os acontecimentos listados servem como contextualização histórica da produção nacional e não representam um resultado direto causado pelo orçamento daquele mesmo ano, tendo em vista que projetos científicos demandam longo tempo de maturação.


 

Ano

Volume Liquidado (Valores Nominais)

 

Acontecimentos Científicos e Marcos de Destaque

 

2015


R$ 3,97

bilhões

Descoberta epidemiológica histórica da relação causal entre a infecção pelo Vírus Zika em gestantes e a incidência de Microcefalia congênita em recém-nascidos, liderada por grupos do Nordeste e alterando diretrizes mundiais da OMS.

 

2016

R$ 3,50

bilhões

Participação de pesquisadores e astrofísicos brasileiros nos times globais que confirmaram a primeira detecção experimental direta de Ondas Gravitacionais no cosmos.

 

2017

R$ 3,56

bilhões

Lançamento e operação aeroespacial do Satélite de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), garantindo soberania militar e provendo internet de banda larga em regiões profundas do país.

 

2018

R$ 3,76

bilhões

Ligação oficial e primeira luz síncrotron do acelerador de partículas Sirius (CNPEM, Campinas), atuando como lupa atômica para desvendar estruturas moleculares e desenvolver fármacos de ponta.

 

2019

R$ 4,09

bilhões

Celebração do centenário histórico do eclipse solar de Sobral (CE), relembrando o experimento astronômico de 1919 que validou empiricamente a Teoria da Relatividade Geral de Einstein.

 

2020

R$ 3,97

bilhões

Sequenciamento do genoma completo do vírus SARS-CoV-2 em apenas 48 horas após o primeiro caso no país (Instituto Adolfo Lutz / USP), auxiliando diagnósticos e vacinas globais.

 

2021

R$ 2,81

bilhões

Lançamento e inserção em órbita do satélite Amazonia-1 (1º projetado, testado e montado no Brasil). A entrega expôs o paradoxo da alta competência espacial diante do colapso do financiamento científico.

 

2022

R$ 6,24

bilhões

Abertura oficial do superlaboratório Sirius e disponibilização das primeiras estações de pesquisa de luz síncrotron para cientistas acadêmicos e empresas.

 

2023

R$ 10,72

bilhões

Ingresso consolidado do Brasil no prestigiado Top 10 mundial de países com maior volume absoluto de publicação de artigos científicos em regime de acesso aberto.

2024

R$ 12,87

bilhões

Aprovação sanitária regulatória pioneira pela Anvisa da vacina contra a febre Chikungunya, desenvolvida pelo Instituto Butantan.

 

2025

R$ 17,08

bilhões

Inclusão clínica e expansão regulatória de terapias monoclonais avançadas contra o Alzheimer (donanemabe), acompanhada por estudos clínicos nacionais focados em retardar o declínio cognitivo.

Fonte: Elaborado pelo autor com base em notícias e comunicados oficiais de veículos e instituições como G1, BBC News, SBPC, CNPEM, INPE, Anvisa, CFF, IPEA e portais especializados.


Dentre os muitos feitos demonstrados acima (todos mereciam ter mais destaque nacional), um que vale a pena destacar é o de 2020, no qual, ao se sequenciar o genoma com extrema agilidade, propiciou-se um desenvolvimento mais acelerado de tratamentos contra a COVID-19, sendo crucial para salvar vidas.


  1. Uma análise mais detalhada por subfunção orçamentária


A distribuição orçamentária dos recursos pode revelar as prioridades estratégicas, bem como o que foi preterido com aquele investimento nas subfunções.


A subfunção de Desenvolvimento Tecnológico e Engenharia concentrou o maior volume de aportes, atingindo seu piso em 2021, com R$ 1,50 bilhão, e o seu ápice em 2025, alcançando R$ 13,60 bilhões. A sua característica que mais se destaca em relação às demais subfunções é o seu funcionamento, que busca atuar diretamente com as indústrias, promovendo inovações que causem impacto no mercado.


Já a subfunção referente ao Desenvolvimento Científico, ao contrário da subfunção anterior, foca em ser o alicerce da pesquisa acadêmica pura. Em 2021, teve o seu piso, com R$ 1,30 bilhão, e em 2025, o seu ápice, com R$ 3,40 bilhões. O financiamento veio por meio do MCTI, alinhado ao CNPq, sendo este o principal responsável pela concessão de bolsas de estudo no país.


Apresentando o menor aporte, a subfunção que buscou promover a Difusão do Conhecimento Científico e Tecnológico foi marcada pela escassez, demonstrando a sua dificuldade de se inserir no debate nacional. Para fins comparativos, o seu ano de auge foi 2023, com R$ 54 milhões, enquanto em 2021 registrou o seu piso, com R$ 10 milhões — números irrisórios diante das demais subfunções e preocupantes, já que demonstram o posicionamento da máquina pública em relação à promoção da ciência.


  1. Assimetrias regionais e disparidades estaduais


Analisar o orçamento sem observar para onde ele foi direcionado afastaria este texto da realidade, já que, como veremos adiante, a disparidade socioeconômica regional também se reflete no orçamento para a ciência no país. Elaborando um ranking das regiões que tiveram acesso à verba para o desenvolvimento científico, a ordem se estrutura da seguinte forma:


Fonte: Elaborado pelo autor com dados do SIOP (2015–2025)
Fonte: Elaborado pelo autor com dados do SIOP (2015–2025)

A Região Sudeste foi, de maneira substancial, a mais contemplada pelo orçamento, em sua maioria por meio de São Paulo, que, dentre os estados brasileiros, é o que mais recebeu verbas. Isso se deu, em grande parte, pelo seu elevado número de universidades de alto padrão, pela concentração histórica de doutores e pelo forte dinamismo de sua indústria (Albuquerque, 1996).


  1. Eficiência na contramão do investimento, o exemplo do Nordeste




A região Nordeste ocupa a 4ª posição no ranking de captação de recursos nessa modalidade (considerando apenas os recursos destinados a regiões específicas). Contudo, a história recente expõe um contraponto marcante: embora tenha recebido menos verbas, a região tem alcançado feitos significativos, mesmo diante do baixo investimento.


Em 2015, mesmo sob forte escassez de recursos, cientistas nordestinos foram responsáveis por descobrir a correlação epidemiológica direta entre o vírus Zika e os casos de microcefalia infantil, liderados pela equipe da Fiocruz Pernambuco, feito que alterou os protocolos de obstetrícia e vigilância sanitária ao redor do planeta e rendeu reconhecimento internacional para os pesquisadores envolvidos.


Essa é apenas uma das várias contribuições que a região deu ao cenário científico nacional, atestando a sua competência e demonstrando a necessidade de investimento contínuo para o fomento e manutenção de sua estrutura.


  1. As emendas parlamentares e o financiamento científico


A análise dos dados fornecidos pelo SIOP para o período revela uma predominância das emendas individuais como atores principais no fomento à pesquisa. O pico orçamentário ocorreu em 2020, alcançando R$ 97 milhões em um momento atípico do orçamento. Vale ressaltar que, em 2020, o mundo enfrentava a pandemia da COVID-19 e a pressão pelo desenvolvimento de testes e métodos para o seu tratamento era uma questão de urgência em todo o planeta, o que pode explicar esse ápice orçamentário.


Embora sejam, muitas vezes, cruciais para a execução de projetos, dado subfinanciamento da pesquisa, as emendas individuais disponibilizadas pelo Congresso dificultam a elaboração de planos de médio e longo prazo (Limongi; Figueiredo, 2005), em razão de fatores como:


  • A fragmentação orçamentária: decorrente, principalmente, do peso das emendas individuais, que alocam fatias generosas do orçamento e as transformam em repasses pontuais os quais, muitas vezes, atendem mais a anseios eleitorais do que a demandas científicas reais;


  • A falta de continuidade: causada pelo fato de o desenvolvimento científico exigir ciclos longos que, frequentemente, ultrapassam a duração do mandato de um parlamentar. Para a interrupção do fluxo, basta que o seu sucessor não acredite no projeto ou que surjam outras prioridades para o parlamentar que destina os recursos;


  • O viés político: devido aos interesses individuais do congressista, a alocação de recursos tende a priorizar projetos que ofereçam retorno em capital político imediato, sem focar, necessariamente, no impacto real e de longo prazo que o trabalho científico pode oferecer.


  1. O comparativo global


Uma maneira de averiguar a eficácia do investimento científico é a análise comparativa, observando o que outros países têm feito para desenvolver suas tecnologias e fazer avançar a ciência global.


A tabela a seguir apresenta os dados de algumas das principais potências científicas globais em 2025:


Nome do País

Porcentagem do PIB Investida em Ciência (P&D)*

Foco em Desenvolvimento (conforme o texto)

Estados Unidos






~3,45%

•  Inteligência Artificial generativa


•  Redes semicondutoras de alta densidade

•  Tecnologias críticas de defesa nacional

China

~2,70%

•  Autossuficiência tecnológica de suas cadeias de suprimento

•  Soberania de fornecimento contra sanções do Ocidente

Coreia do Sul

~4,96%

•  Chips inovadores

•  Inteligência Artificial

•  Comunicações baseadas em criptografia quântica

Reino Unido

~2,68%

•  Fortalecimento do orçamento público contínuo em C&T de

longo prazo

Fonte: Elaborado pelo autor com base nos dados do levantamento (2025).


Também se torna necessário analisar as economias de outras nações emergentes, para que possamos rankear melhor a posição do Brasil.


País

Investimento/ Intensidade (% do PIB)

Foco Estratégico e Métrica Regulatória

Principais Destaques e Contexto

Egito

1,02%

Mandamento constitucional que obriga a aplicação mínima de 1,00% do

PIB em pesquisa.

Líder de investimentos em C&T na África (OMPI);

orçamento real cresceu mais de 12 vezes nas últimas duas décadas.

África do Sul

~0,60%

Meta regulatória de longo prazo para atingir 1,50% do PIB em P&D.

Principal competidor emergente direto do Brasil;

financiamento estagnou pós-2008.

Marrocos

0,75%

Fomento direcionado de forma

estável.

Foco em inovação em energias renováveis e megaprojetos solares

integrados.

Quênia

0,70%

Alocação estratégica contínua do

PIB.

Foco em infraestrutura digital e redes de pagamentos móveis ("Silicon Savannah").

Fonte: Elaborado pelo autor com base nos dados do levantamento (2025).


  Também se torna necessário analisar a intensidade de investimento de economias emergentes para que se possa classificar e contextualizar com maior precisão o esforço brasileiro. O patamar de investimentos do Brasil o aproxima de economias intermediárias; entretanto, em relação às nações líderes, constata-se um descompasso acentuado tanto em volume quanto em previsibilidade de longo prazo, cenário no qual grandes potências globais (big players) travam disputas pela liderança de tecnologias críticas para as próximas décadas, tais como inteligência artificia e semicondutores avançados.


  1. Conclusão


A trajetória orçamentária analisada entre 2015 e 2025 atesta a notável capacidade de resiliência das instituições científicas brasileiras, ambiente no qual pesquisadores conviveram com persistente volatilidade fiscal e severa perda do poder de compra pela inflação. A despeito desse panorama adverso, a produtividade acadêmica sustentou entregas substanciais, com ênfase no período pandêmico, exercício no qual a ciência nacional foi determinante para o sequenciamento célere do SARS-CoV-2, a testagem em massa e o desenvolvimento de imunizantes que salvaram vidas.


Embora o expressivo incremento orçamentário registrado a partir de 2023 sinalize uma retomada estratégica, o histórico de rupturas orçamentárias e a dependência de articulações conjunturais indicam que a sustentabilidade da política científica não está plenamente equacionada.


As medidas que serão necessárias, caso tenhamos o objetivo de elevar os patamares científicos nacionais, fazem com que a ciência deixe de depender de políticos que simpatizem com a causa. Dentre as várias ações possíveis, podemos focar em duas:


I.  Reestruturação e Fortalecimento Contínuo da Difusão Científica


Inserir a população no cenário científico nacional é de suma importância, tanto para uma futura renovação do quadro científico, ao inserir pessoas com diferentes perspectivas que enriquecem o projeto, quanto para que, através do aumento da popularidade da ciência, a sociedade civil busque cada vez mais eleger representantes que vejam no mundo acadêmico a prioridade para o futuro. Observando os números recentes, essa subfunção, tendo seu pico orçamentário em apenas R$ 54 milhões, mostra a falta de comprometimento do poder público em levar o conhecimento científico até as pessoas.


II.  Alinhamento Técnico para as Emendas Parlamentares


Para impedir que pesquisas continuem sendo reféns de eleições, algumas medidas podem ser tomadas.


  • Combate à divisão de verbas:

    As emendas individuais espalham o dinheiro em pequenos valores sem garantia de continuidade. Na ciência, essa imprevisibilidade sobre os recursos paralisa projetos de longo prazo e impede investimentos estruturais.


  • Alinhamento com o planejamento:

    Criação de uma lei ou portaria interministerial que funciona como um filtro técnico, exigindo que qualquer verba para ciência e tecnologia esteja de acordo com as metas oficiais do governo.


  • Foco em emendas de comissão:

    Propor priorizar as emendas de comissão, que concentram mais recursos em debates setoriais e permitem financiar grandes laboratórios compartilhados entre várias instituições.


  • Blindagem Meritocrática:

    Exige a submissão dos projetos à avaliação por pares e auditoria técnica, reduzindo a interferência de interesses partidários e eleitorais na distribuição da verba.


Bibliografia


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